O jornalista Airton Seligman faz indicações de livros para quem quer ser bom de apuração e de texto.
Siga os mestres citados abaixo.
Ficar ou não ficar, Tom Wolfe
Sarcasmo, erudição, elegância e até um certo ranço com a modernidade são as forças do texto de Wolfe, um dos que projetaram o new journalism.
Como fazer Inimigos e alienar Pessoas, Toby Young
O jornalista inglês foi tentar fama e grana em Nova York e se deu mal. Esse é o relato de seus cinco anos de danação no mundinho do jornalismo de celebridades. Engraçado e esclarecedor, ainda que meio rancoroso.
O que aconteceu com a Turma de 1965, Michael Medved e David Wallechinsky (talvez esgotado)
Um exemplo de como fazer uma grande reportagem: apuração, cruzamento de dados, técnica de entrevistas, perseverança. Mas também uma mostra de como aproveitar mal o levantamento. Faltou suor para edificar melhor a história - o destino dos garotos da Palisade High School, Califórnia, que haviam sido perfilados pela revista Time 10 anos antes (1965) como os caras que estavam mudando a América.
Noites Tropicais, Nelson Motta
A irreverência de Motta, virtude que falta a muitos jornalistas-historiadores, dá um sabor especial a esse livro, um relato da história da MPB da bossa nova pra cá.
O Reino e o Poder, Gay Talese
Ao contar a história do New York Times, Talese nos dá um guia sobre como se acomodam as forças dentro de uma estrutura gigantesca, sempre à mercê de egos, vaidades, psicoses e genialidades diversas. O texto é cruel, não deixa o leitor largar o livro.
A mulher do próximo, Gay Talese
Com esse enorme painel da sexualidade americana da segunda metade do século 20, Talese, uma das feras do new journalism, demonstra como se pode ser enciclopédico sem ser chato.
Fama e Anonimato, Gay Talese
Só a longa história da construção da ponte do Brooklyn, em Nova York, já seria motivo para ter esse livro, mas dá para se deleitar com todas as reportagens do volume. O texto e a apuração meticulosos do relato do resfriado de Frank Sinatra são prova de que fazer jornalismo pode ser muito divertido.
Dentro da floresta, David Remnick
O editor da New Yorker não chega a ser um Norman Mailer, mas não faz feio quando relata a vida de um boxeador (Mike Tyson). Sua ourivesaria com as palavras e o respeito às ideias e aspas das fontes fazem desse livro, que reúne várias reportagens suas, um exemplo de correção.
O segredo de Joe Gould, Joseph Mitchell
A polêmica relação entre repórter e fonte - um maluco que vive nas ruas de Nova York - nos coloca diante da velha encruzilhada: a fonte é mala, mas pode render uma ótima história. A autocrítica do autor vale como aviso.